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AINDA BEM QUE NÃO CUMPRO TUDO O QUE PROMETO

22 set

Nunca gostei dos filmes de Woody Allen mas confesso que até então só havia assistido Melinda e Melinda.

Aliás, na época lembro de ter dormido no cinema, odiado o filme e saído da sala achando Allen o pior cineasta do mundo!

Deveria ter dado um desconto para a rotina que levava naquele ano. Estava há dois anos na faculdade. Trabalhava em dois empregos e ainda fazia a faculdade a noite. Levantava todos os dias as cinco da manhã e nunca deitava antes das duas da madrugada. Realmente assim não tinha como entrar no cinema e conseguir manter os olhos bem abertos e a mente ativa durante quase duas horas.

Dormi e não entendi o filme. Achei as cenas arrastadas, pouco diálogo e prometendo nunca mais assistir Woody Allen.

Ainda bem que não cumpro tudo o que prometo!

Foi  graças ao Vicky Cristina Barcelona que decidi quebrar minha promessa e ver um filme do até então chamado de “genial”.

O que poderia ter Woody Allen de gênio?

Me apaixonei por Vicky.

Me apaixonei pela Cristina.

E pela forma em que o mestre genial conduziu as cenas.

Recentemente, voltando da Inglaterra, assisti no avião mais dois filmes dele.

Filmes que aqui recomendo:

Tudo Pode Dar Certo” e “Um misterioso assassinato em Manhattan”.

No primeiro, a história de uma jovem que se apaixona por um velho. Bóris. O homem mais sincero que já vi… mesmo que pelas telas de cinema.

No segundo uma comédia com toques de suspense. Uma mulher resolve investigar a morte de uma vizinha. Genial!!!!!!! Os dois!

Recomendo, mais uma vez!

Pena que só descobri a genialidade de Woody Allen tão tarde.

Tenho uma listinha com quase trinta filmes dele agora pra correr atrás.

Ah… mas ver Woody Allen como ator não dá!

Quanto a interpretação dele nos filmes continuo com a minha velha opinião. Pelo menos até que algo me faça mudar de idéia…

A MENTE QUE MENTE

22 ago

“Como será que ele fez isso?”,

perguntava eu a cada apresentação de mágicos.

Podia ser qualquer um. Dos maiores nomes que existiam na época aos mais simples de festas infantis. Ou até mesmo aqueles de pequenos circos que passavam pelas praias durante o verão.

“É mágica”, respondiam.

O segredo me fascinava. Queria ser um deles.

Acho que meus pais gastaram um bom dinheiro durante a minha infância comprando os velhos mas encantadores truques. 

Na contramão dos mágicos vinham os ilusionistas.

Esses, sim. Me davam frio na barriga.

Era um medo que me atraía ainda mais.

“Não é truque. É poder”, pensava eu em meus sete, oito anos.

Ficava horas deitado no chão empueirado sem desviar os olhos do meu álbum de figurinhas com ilustrações do grande Houdini. O mestre da ilusão que no início dos anos 1900 ficava algemado em profundos tanques de água.

Houdini tinha habilidades impressionantes. Era capaz, por exemplo, de permanecer vários minutos dentro de uma espécie de piscina sem respirar. E foi numa destas demonstrações de suas habilidades que ele morreu. Após apresentar o número para uma platéia de estudantes no Canadá,  um dos convidados, boxeador amador, invadiu os bastidores e sem dar tempo para que Houdini fizesse mágica lhe deu dois golpes no abdômen que logo fizeram romper o apêndice.

Era o fim de Harry Houdini, considerado até hoje o maior mágico que já existiu.

Dezenas de anos depois um seguidor.

Um novo ilusionista que com a mesma vontade e destreza de Houdini  levou milhões de pessoas a assistirem seus feitos.

Kreskin deu show na televisão. Era sempre convidado nos famosos programas de auditório.

Ele era capaz de narrar claramente um pensamento de alguém da platéia, encontrava objetos escondidos, fazia levitações. Ainda libertava pessoas presas em cofres. O ilusionista chegou a hipnotizar 35.000 pessoas.

Como ele era capaz de fazer tudo aquilo diante de olhos tão atentos?

Até hoje ninguém conseguiu desvendar os seus truques (se é que eles existiram).

Kreskin dizia que não existiam segredos. Tudo era resultado do trabalho de sua mente.

Pois uma única vez a mente do ilusionista falhou. E foi diante de uma platéia lotada.

A história desse homem foi contada no filme “A mente que mente” com John Malkovich e participação de Tom Hanks.

Ok, em algumas cenas do filme dá vontade de dormir…

mas é a chance de conhecer mais sobre esse grande mestre, que assim como meu ídolo na infância Houdini, fez muita gente acreditar que nem sempre o que se vê é uma ilusão.

IMPERDÍVEL!

3 jun

O PREÇO DA TRAIÇÃO – “Chloe” (EUA)

Surpreendente e excitante.

O filme… uma espécie de suspense erótico…foi dirigido por Atom Egoyan (diretor egípcio, filho de armênios e canadense de formação).

Até onde você iria para flagrar uma traição?

LEMON TREE – (ISR)

Uma viúva Palestina vê sua plantação de limoeiros ser ameaçada quando seu novo vizinho, o Ministro de Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado.  A Força de Segurança Israelense logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do ministro e por isso precisam ser derrubados.

O filme mostra que o cinema Israelense está em alta.

ACONTECEU EM WOODSTOCK – (EUA)

A transformação que o maior festival de música e de ideais da história provocou em uma pequena comunidade e em familias da região.

VICKY CRISTINA BARCELONA

8 mar

Minha passagem por Barcelona foi rápida.
Foram apenas três dias. Mas sinto que foram três anos.
Acho que aproveitei mais a cidade nesse período do que muitos dos que moram lá há mais tempo.
Não parei um minuto. Atravessava bairros inteiros de trem, ônibus, a pé. Não queria que o dia acabasse e não sobrasse tempo pra ir a tantos lugares.
O dia acabava e mesmo assim eu não parava.
Sinto o cheiro ainda das ruas de Barcelona.
O sol forte queimando quem caminhava pela beira do mar. A sombra das árvores ao longo das Ramblas – uma Rua da Praia com praia.
Dizem que é a cidade mais cara de se viver na Espanha.
Também pudera. Um lugar fascinante como aquele não poderia custar barato. Vale cada moeda paga.

Depois de muitos meses peguei o DVD do filme VICKY CRISTINA BARCELONA da estante. Não queria assistir em qualquer hora.
Tinha certeza que relembrar Barcelona merecia uma noite especial.

No momento especial resolvi assistir.

A história do verão europeu de Vicky e Cristina é um pequeno tratado do amor-paixão. Quem assistir tem o prazer (ou desprazer) de se reconhecer em algum lugar do leque de experiências amorosas que o filme apresenta.

Me vi em muitas daquelas ruelas caminhando, conversando com qualquer pessoa e tirando as melhores experências da caminhada.

Que vontade de voltar.

Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz e Javier Bardem pegam a estrada e ainda passam um final de semana na pequena Oviedo.

Foi em Oviedo que dormi a primeira noite na Espanha. Me perdi pelos labirintos de casas altas, prédios e suas varandas floridas. Jantei sozinho nas “terrazas” a luz de velas. Só faltou o vinho. Como estava muito quente optei pela “cerveza”. Horas depois, com boas companhias, experimentamos as famosas “sidras” da região ao som da “spanish guitar”.

Vicky Cristina Barcelona é um filme triste porque os personagens se apaixonam, vivem sentimentos fortes, mas no fim, tudo isso não transforma ninguém. Vicky e Cristina vão embora iguais ao que elas eram no começo.

Woddy Allen foi homenageado com uma estátua em Oveido, por ter levado imagens da bela cidade para o mundo.

Depois do filme tenho certeza de que voltarei em breve a Espanha. De preferência para mais um verão. Viver novamente aqueles dias alaranjados como se um final de tarde durasse um dia inteiro…

CHÉRI

17 fev

Uma cortesã é menos que uma amante e mais que uma prostituta. Ela é menos que uma amante porque ela vende seu amor por benefícios materiais. Ela é mais do que uma prostituta porque ela escolhe seus amantes.
A cortesã é, na verdade, uma mulher cuja profissão é o amor e cujos clientes podem ser mais ou menos distintos. Ela pode ter sido uma mulher respeitável, levada por um caso infeliz para esta realidade.
Ela pode ser uma mulher de origem humilde cuja única esperança parecia ser sua aparência física. Ela pode ser uma artista que, de boa vontade, abandona suas esperanças inadequadas no teatro.
Mas qualquer que seja sua origem e propósito, quaisquer que sejam seus outros talentos, a profissão de cortesã é vender seus favores, praticar suas artes, dar prazer.

Como não lembrar da Dama das Camélias?

Foram muitas as cortesãs que ganharam notoriedade, que ganharam visibilidade como acompanhantes de homens que deixaram seus feitos na História.

FRANÇA, 1906.
A “Belle Époque” é cenário para a história baseada no livro de 1920 da escritora francesa Colette (1873-1954).

Uma época onde os ricos e poderosos usufruiam das jovens (outras não tão jovens assim) cortesãs.

É num jardim de inverno que famosas ex-cortesãs passam suas tardes a recordar seus momentos de glória nas rodas aristocráticas e boêmias da Europa.

Entre elas, Charlotte Peloux.
Aos 49 anos de idade percebe a chegada da velhice.
“Um pescoço já marcado por rugas e um rosto que começa a perder o viço.Um rosto envelhecido mas de certa forma enriquecido pelas venturas e desventuras vividas plenamente”.

Ela está diante da maior história de todas as que carrega na idade. O amor que despertou nela por um de seus clientes.
Ele tem apenas 19 anos, está prestes a se casar por conveniência.
Como a senhora cortesã poderá seduzir o jovem rapaz e mostrar a ele que, pelo menos dessa vez, o sentimento existe.

Chéri
(Chéri, 2009)

» Direção:
- Stephen Frears

» Elenco :
- Michelle Pfeiffer
- Rupert Friend

PARTNER

10 ago

Um filme complicado, mas extraordinário. Talvez, revolucionário…
Assistir Partner não é fácil. É inquietante, angustiante mas absurdamente apaixonante.
Talvez por ter sido baseado nos textos de Dostoyevsky (…).
Talvez por ter a condução de Bernardo Bertolucci.
Mas ao contrário de tantas outras vezes, não indico Partner. Nem mesmo aos mais cinéfilos. Não é tão simples! Aparentemente um filme sem lógica, sem uma narrativa clara, sem ser simples, nada comercial. Cenas longas amarradas em outras cenas ainda mais longas.
Assistir Partner requer um espectador que tenha mente aberta para uma concepção de película que por ora pode parecer fora da realidade.
Tem que se estar pronto para assistir. Um filme que não deve ser refletido inicialmente. Aliás, não é tão simples assistir ao filme e não tentar refletir sobre o pq de cada fala, de casa cena. Não há “pq” em nada.
Como pano de fundo, 1968. O ano da revolução. Um filme tão revolucionário quanto a época. Partner é mais do que uma película política. A revolução de 68 vista da Itália (fora do furacão que passou pela França). O filme foi gravado justamente em 1968. Algo inexplicável, assim como aquele ano.
Partner fala sobre um tímido professor de teatro que, um dia, descobre um duplo (ambos vividos por Pierre Clémenti). Um “eu interior” que vive no mesmo quarto que ele.
Pense bem antes de assistir. Inexplicável.

Entre as cenas de Partner um momento de paixão e violência. O protagonista e a vendedora de detergentes numa cena pra lá de romântica… ôôôô…

MAZZAROPI, O HERÓI

7 mai

Os pais tiveram que mandar o filho para viver na casa dos tios no Paraná. Eles tinham medo que o pequeno fugisse com o circo. Era sua paixão…

Assim começa a história do meu herói de infância.

Saudade de chegar em casa e ter uma fita VHS do Mazzaropi. Abria a caixa da fita e sentia aquele cheirinho do plástico. Colocava no VHS ansioso por mais uma aventura.

E foram tantas aventuras…

Hoje me lembrei desta paixão de infância. Acredite se quiser, mas muito assisti os filmes do Mazzaropi quando menor. E adorava!

Na verdade adoro até hoje.

A simplicidade daquele jéca é o segredo de tamanha admiração que tenho por ele e por suas histórias.

Pra quem não conhece… Mazzaropi era um caipira com jeito engraçado, caminhar desengonçado e atrapalhado. Bota atrapalhado nisso.

Amácio Mazzaropi ganhou destaque nas telonas com seus inúmeros filmes. Foram mais de trinta, na verdade.

Ele era o protagonista, diretor, produtor e distribuidor.

A crítica cinematográfica especializada nunca apoiou ou deu críticas construtivas para as obras deste artista. Nada disso importou. Ele se tornou ícone da sétima arte brasileira.

Ria muito com o caipira atrapalhado.

Ele foi herói pq enfrentou nas telonas perigosos bandidos, mafiosos e até o diabo!!!!!!!!!!!! Herói maior pq levou para o cinema as histórias de gente simples.

Enquanto muitos assistiam as emocionantes histórias de aventura dos heróis japoneses… me divertia com o nosso herói brasileiro .

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