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AS ULTIMAS 24 HORAS

10 set

O que aconteceria se Londres, uma das maiores cidades do mundo,  ficasse sem as principais linhas de metro?

Assim como as outras grandes cidades europeias  Londres depende do transporte coletivo. Ja que impostos para trafegar na cidade dificultam o acesso livre de carros. 

A populacao usa as centenas de rotas de onibus e  metros que cortam todos os bairros.

Os metros passam de dois em dois minutos, as vezes pouco mais. Ate em algumas paradas dos bus telas eletronicas informam o tempo para a chegada do proximo. E todos sao pontuais. A pontualidade inglesa.

Pois presenciei o transtorno enfrentado por uma populacao sem o seu principal meio de transporte.

Justamente no meu ultimo dia os funcionarios do metro de Londres decidiram fazer greve. Fecharam linhas pedindo novos postos de trabalho e tambem melhores condicoes para exercer suas tarefas.

Vimos em 24 horas o caos que se forma em uma cidade extremamente organizada.

Paradas lotadas, onibus sem espaco, confusao nos terminais underground. 

Deixei ainda algumas compras para o meu ultimo dia sem imaginar o tumulto que se formaria em todas as regioes.

Foi um dia corrido… eh verdade. Mas com direito a almoco em restaurante brasileiro.  Oooo saudade!

Sem metro para chegar ao aeroporto, sem onibus ja que as linhas estavam congestionadas e sem taxi ja que parte da populacao corria atras de um… Foi preciso contar com a ajuda de um brasileiro que fez o transfer ate la.

Londres estava parada!

Uma imagem diferente nessas minhas ultimas horas nas terras da Rainha.

Durante o arranca e para entre os milhares de carros lembrei de momentos vividos aqui. Ja bate uma saudade dessa louca cidade.

Deixo em Londres um pouco de mim, levo novos amigos e ficam as lembrancas de um verao no Reino Unido.

Cheguei atrasado ao aeroporto de Heathrow mas consegui entrar a tempo no aviao. A aeronave se desloca ate a cabeceira da pista. Vejo pela janelinha o sobe e desce de turistas, ingleses, gente de todos os cantos que fazem movimentar a cidade. 

Apos receber a autorizacao para decolar, surpresa! Nova greve! Agora, dos controladores de voo da Franca.  Foi preciso permanecer duas horas dentro da aeronave ate que deixassemos Londres.

Vi Londres, mais uma vez, la de cima. Que imagem!

Com essa confusao perdi minha conexao no Rio  de Janeiro e no novo voo ainda uma escala surpresa em Florianopolis.

Uma aventura e tanto ate chegar em casa… Horas e horas atrasado…

mas carregando entre malas de roupas e de presentes, uma bagagem que nao levei na ida…

QUE TAL UMA BALADA A 5 GRAUS ABAIXO DE ZERO?

9 set

Chove em Londres.

Uma cena rara nesses ultimos dias. Desde que cheguei aqui so vi  mesmo um chao molhado no segundo dia de viagem. Chuva ate entao… nao havia caído ! Apesar de que a fama eh de uma chuvinha fina quase todos os finais de tarde por aqui.

A preguica me fez nao ter forças para sair de casa.

Durante a manha optei por ficar no quentinho das cobertas.

A tarde preferi mesmo curtir a casa.

Também, depois de quase duas semanas sem parar um minuto… é nisso que dá!

Recarreguei as energias para a noite. Eh a minha ultima noite na Inglaterra. Tem que ser forte… E foi!

Encaramos as ruas movimentadas de Londres pouco antes das sete da noite para conhecer um dos pubs mais interessantes da cidade. Já havia lido sobre o local no Brasil e desde muito antes da minha chegada estava no meu roteiro.

O Ice Pub Absoltut.

Um bar patrocinado pela famosa marca de vodka com o mesmo nome.

A ideia eh genial. Um bar todo de gelo. Toooodo! Paredes, bancos, mesas ate os copos sao feitos de puro gelo.

A temperatura la dentro, independente da temperatura la de fora, eh sempre de cinco graus abaixo de zero. Não preciso dizer o friooooooo que passamos lá dentro.

O pub tem capacidade para 60 pessoas. E entrar lah nao eh tao simples assim… Além de marcar hora eh preciso usar uma roupa especial para se proteger do gelo, incluindo luvas e capuz.

Eh claro que para esquentar um pouquinho todas as bebidas oferecidas incluem vodka. E uma bela dose de vodka!

O som faz o publico dancar e tentar espantar o frio… convenhamos, algo impossivel!

Os gelos que cobrem todo o bar veem da Suecia. Levam seis dias para serem instalados a cada temporada no ambiente. Além disso, portas especiais para que o ar quente da rua nao entre. E ate as luzes do bar são de baixa intensidade e colocadas de forma que nao derratam os blocos.

Os copos, esses sim, vao derretendo aos poucos nas maos que os seguram.

Encontramos uma turma de brasileiros la dentro (pra variar encontramos brasileiros em todo os lugares). Tinhamos 40 minutos para desfrutar do lugar. Um relogio instalado num dos cantos do local faz a contagem regressiva do tempo que o visitante ainda tem para ficar ali.

Por causa da saude e diante de temperaturas negativas, eh preciso seguir as orientacoes de tempo nessa especie de camara fria que serve de balada.

Experiência ao extremo… como eles mesmos definem.

Ja animados deixamos o Ice Bar para outra festa. Fomos ao bar Walkabout. Uma balada forte que reune imigrantes de todos os cantos, principalmente latinos (e eh claro, pra nao perder o costume,  muuuuitos brasileiros).

O lugar eh pub ate umas 22horas e depois vira festa mesmo. Festa, aliás, regada a muuuuuuuitas pinds (o tamanho exato de cerveja a temperatura ambiente para os ingleses), vodka e algo la que eu nao lembro o nome.

Deixamos nossa marca nesses sites de fotos de festas.

A minha ultima noite em Londres foi a altura. Terminou como merecia depois de uma viagem tao incrivel.

Deixamos o local perdidos. E la se foi uma bela e longa caminhada atras de algum onibus, ja que os metros estavam fechados aquela hora.

Chegamos na republica.

Deitei da cama, fechei os olhos e ja me bateu a saudade da vida agitada londrina. Isso que ainda estou aqui…

FINAL DE TARDE EM ABBEY ROAD

8 set

Ao contrario dos outros dias, hoje acordei cedo demais.

Fui ate a cozinha beber uma agua antes de voltar pra cama e continuar a dormir, afinal estou de ferias!

Perdi o olhar pela janela diante de uma paisagem cheia de casinhas inglesas. Acho que ja falei delas aqui.

Liguei o som do meu celular e tocava A Hard Days Night. Uma cena quase que inacreditavel ate alguns meses atras. Quando eu me imaginaria ali… parado. Ouvindo Beatles e vendo o dia comecar em Londres, praticamente no centro do mundo.

Alias, nao poderia ter tocado som mais apropriado. Estou na terra da maior banda de todos os tempos. Os meninos de Liverpool que conquistaram muitas geracoes.

Embalados pela musica fomos a tarde para um dos locais mais visitados da Inglaterra. Uma simples faixa de seguranca para pedestres.

Ha pouco mais de 41 anos os Beatles resolveram atravessar uma rua qualquer da Inglaterra para uma bateria de fotos. Uma delas foi escolhida para a capa do que viria a ser o último álbum da banda. E a rua, até então desconhecida, virou um dos maiores pontos turisticos para os apaixonados do rock.

Pessoas recriam a cena a todo o instante e de todas as maneiras possiveis.

Vir a Londres e nao conhecer Abbey Road eh quase que um pecado!

Chegamos as seis da tarde na famosa faixa de seguranca que fica em frente a gravadora onde o  ultimo disco foi elaborado.

A gravadora Abbey Road continua no mesmo casarao.

Quando chegamos o movimento era mais tranquilo, mas nao menor. Havia uma grande quantidade de pessoas que queriam a todo o custo registrar o momento unico. O desafio é recriar a famosa fotografia.

Deixei meu nome marcado no muro de Abbey  Road. Entre tantas assinaturas e mensagens o meu MARCUS REIS ficou marcado pra sempre nesta historia.

Quase nao prestei atencao quando atravessei pela primeira vez a faixa. Estava mais preocupado  com o transito que no significado daquele momento.

Alguns motoristas nao reduzem a velocidade ao passarem por aqui, mesmo sabendo da legiao de admiradores que param em pleno meio da rua. Dizem que volta e meia alguem eh atropelado nesse ponto. Por isso a minha preocupacao.

A segunda vez que atravessei a rua foi mais tranquilo. So aí me dei conta que estava passando pelo menos local que, em algum momento da historia, Paul, Ringo, John e George tb atravessaram.

Uma camera de video instalada na rua transmite para o mundo 24 horas por dia as imagens da faixa e principalmente de seus visitantes.

Eh ilario ficar vendo o que cada um faz para tornar aqueles poucos segundos ainda mais inesqueciveis. Se quiser, pode dar uma espiadinha la agora… e ver a movimentacao AO VIVO

(http://www.abbeyroad.com/visit/)

Nossa travessia tambem foi transmitida ao vivo.

 Deixamos Abbey Road no final da tarde.

Antes de escurecer deu tempo para andar na London Eye. Uma gigantesca e moderna roda gigante.

Ate 2006 era considerada a maior do mundo mas os chineses se encarregaram de construir uma ainda mais gigantesca!

Sua primeira volta foi na virada do ano de 1999 para o ano de 2000. Nos ultimos segundos do ano Tony Blair apertou o botao que fazia o equipamento funcionar.

Sao 32 capsulas com capacidade para 25 pessoas cada uma. A Roda leva 40 minutos para dar uma volta inteira.

Naquele inicio de noite vimos Londres do alto.

Razao para se apaixonar, ainda mais, por esse cantinho do mundo.

Nos atravessando a faixa. Eu sou o ultimo! Imagem da camera que transmite 24h por dia Abbey Road

QUANDO LONDRES PARECE O RIO GRANDE DO SUL

6 set

Meu maior medo assim que chegasse a Londres, acredite, era com o pessoal da republica em que eu iria ficar.

Sei la, pessoas de varios lugares do mundo, culturas diferentes, costumes, genios… A convivencia nao eh facil pra ninguem, ainda mais dividindo o mesmo teto, as mesmas experiencias e ate o mesmo rolo de papel higienico.

Mas toda aquela preocupacao foi a toa. Nao imaginava que todos os meus companheiros de casa seriam brasileiros. Sim, eu disse todos! Se por acaso a minha anfitria Ananda me comentou juro que nao guardei a informacao.

Voltando a casa… somos nove brasileiros. A  maior parte ainda por cima de gauchos. E para completar…JORNALISTAS!

Alguns eu ja conhecia de nome, de historias… outros cheguei a frequentar a mesma festa de formatura, baladas ou despedida do Brasil sem imaginar que somente nos conheceriamos  tantos quilometros distante da nossa terra.

Tres de Porto Alegre e dois de Sao Marcos, terra de Gisa Guerra.

Eta mundo pequeno. Alguem ainda duvida?

Para matar a saudade dos pampas o pessoal do “gueto”, como chamam carinhosamente o local onde vivemos, resolveu comprar carvao, improvisar uma churrasqueirinha, buscar carne num acougue brasileiro, lotar a geladeira de cerveja gelada e fazer aquele churrasco!

Foram mais de 20 convidados. Adivinhe… a maioria, mais uma vez de…

GAUCHOS!

Gente que deixou os mais distantes cantinhos do Sul para estudar ou recomecar a vida aqui por esses lados.

O cheirinho do churras comecou logo depois do meio dia. Terminou la pelas oito horas da noite.

Para chegar na laje onde a churrasqueira foi improvisada era preciso pular uma janela. A vista valia a pena. Um conjuto de casas inglesas. Todas iguaizinhas… uma do lado da outra. O ceu nublado. Volta e meia o sol dava as caras.

Uma viola e muitos violeiros. Saiu de tudo. De Oasis e Beatles ao mais pop dos sertanejos. Passando por Amigo Punk e terminando nos hinos do Gremio e do Rio Grande do Sul. Uma bandeira do tricolor chegou a ser hasteada na laje mais bombada daquela tarde em Londres.

Mesmo torrada a carne passava que era uma  beleza. De mao em mao.  E todos comiam com uma voracidade como se aquela fosse a ultima vez que comeriam uma carne na vida. Ate uma italiana e um  japones, chines ou coreano (nao sabemos ao certo), se atracaram na gamela da carne gauderia.

Ahhh que saudade do churrasco do meu pai.

Nao vi a festa acabar. Dormi por alguns minutos jogado no chao do segundo andar. Acabei acordando numa cama onde as molas do colchao mais pareciam tijolos.

Um sabado com cara de domingo gaucho.

Alias, nos gauchos, ainda vamos dominar o mundo…

Ha quem acredite nesse teoria!

ME SENTI O LULA AO ENCONTRO DA RAINHA

5 set

Nove e meia da manha ja estava de pe.

Dormindo pelos cantos, eh verdade, mas ja de pe.

Cai cedo da cama para ver um dos principais cartoes postais da Inglaterra. Fui ver de pertinho o palacio de Buckingham, onde vive a simpatica Rainha.

Como durante o verao a Rainha passa os dias na Escocia, o palacio abre as portas ao publico para conhecer um pouquinho mais da vida da familia real.

Para entrar la nao eh tao simples nao. Eh preciso passar por um batalhao de segurancas, inclusive por maquinas de raio X e detector de metal.

Soh faltava passar pela imigracao e pela policia tambem.

Depois de ser barrado algumas vezes, ficar nervoso e derrubar dezenas de moedinhas no chao consegui entrar no famoso palacio.

Bom, nao preciso descrever aqui os meus olhares surpresos em cada comodo. Este foi o primeiro palacio real que entrei e nao acreditava em tamanha fortuna espalhada em forma de quadros e objetos.

Um dos corredores que leva ate o salao de baile serve de museu ja que a rainha pendurou dezenas de quadros de artistas famosos. 

No salao de musica os instrumentos prontos para serem tocados. Na sala de jantar alguns raios de sol ultrapassavam as cortinas e  iluminavam a gigantesca mesa para nao sei quantas pessoas. No centro, ainda, enfeites de pura prata e de puro ouro. Reluzente a  pouca luz que entrava no local.

Talvez eu estivesse fazendo o mesmo trajeto que o  Lula fez ao ser recebido pela Rainha. Passei,  inclusive, pelo salao onde foi tirada a famosa foto dela com os presidentes do G-20, no qual o presidente do Brasil esta sentado ao seu lado.

Nos jardins do palacio de Buckingham uma grama tao bem cuidada que mais parecia de mentira. A querida Rainha deve passar o dia correndo nesse gramado e se jogando ao sol para curtir um dia perfeito como hoje.

O palacio parece ser pequeno olhando de fora. Parece menor ainda quando percorremos os seus principais corredores. Mas ele eh maior do que muita gente acredita. Sao 775 quartos . Cinquenta e dois aposentos so para a familia real e o restante para convidados e  para os funcionarios.

Pra que tanto quarto, me diz!

So nao consegui chegar no banheiro e no quarto da Rainha.

La fora os guardinhas de vermelho e seus chapeus gigantes faziam a seguranca do predio.

Deixamos o palacio de Buckingham duas horas depois.

Acabamos almocando tarde. O prato do dia: o melhor carreteiro que ja comi na Inglaterra!!!!!

Nossa noite foi em Piccadilly Circus onde se concentram os teatros com alguns dos musicais mais famosos do mundo. Fomos assistir Thriller Live, um tributo ao rei do pop Michael Jackson.

Um espetaculo de duas horas que traz ao palco grandes artistas interpretando o idolo que ainda reune multidoes.

A apresentacao eh cheia de efeitos especiais o que faz a plateia nao parar um minuto de dancar. Ate nas musicas mais calmas o silencio eh interrompido por alguem que grita palavras de carinho a Michael Jackson.

Depois do show tumulto naquela noite quente. Uma placa na entrada do metro dizia: “linha Victoria fechada. Motivo: pessoa embaixo do trem”.

Dizem que aqui eh normal.

Volta e meia alguem se joga nos trilhos do metro. Trabalho dobrado para os funcionarios e estresse para quem fica sem poder chegar mais rapido ao seu destino.

Mais surpreendente eh a forma em que comunicam o publico. Ao inves de dizer que houve um acidente preferem revelar logo o pq da demora e das estacoes fechadas.

Voltei assoviando Billie Jean pra casa no dia  em que me senti o Lula indo visitar a Rainha.    

Cenas do espetaculo Thriller Live em Piccadilly Circus, Londres

UMA DAS ULTIMAS NOITES DE VERAO

4 set

-Tu nao vai colocar teus pes ali dentro, vai?

-Qual o problema???

-Eh nojento!

-Nojento pq? Eh terapia. Quer fazer tambem?

-Nunca vou botar meus pes la!

Ja era quase fim da tarde quando parei o que  estava fazendo, limpei meus pes e os coloquei dentro daquele aquario.

Nao sei ao certo quantos peixes deveriam ter ali, mas talvez uns 50 peixinhos famintos.

A pratica eh popular no Japao, mas aos poucos vem conquistando o Reino Unido. Acredito que no Brasil ja tenha mas ainda nao com a mesma forca.

A Fish Terapia eh simples. Os clientes mergulham os pes num aquario com dezenas de peixes da especie Garra Rufa. Os peixinhos devoram as peles mortas, como as cuticulas.

Os peixes ainda desenvolvem um trabalho terapeutico e relaxante. Inclusive ativando a circulacao sanguinea.

O pequeno cardume vai mordendo os pes. Parecem micro choques. Eu que tenho cocegas tive que segurar a risada no inicio. Um pouco desconfortante mas logo relaxante demais.

A duracao do tratamento eh de apenas 15  minutos.

Acabei sendo ate fotografado por quem parava para ver a cena curiosa. Mas vale a experiencia de ter peixes comendo a pele do seu pe.

Pena que nao vendem os peixinhos para eu ficar fazendo isso em casa… no tanque do jardim.

Precisei largar meu tratamento para seguir a viagem por Londres.

Para nao perder o ritmo de tranquilidade aproveitamos mais um dia perfeito e de muito calor para um quase legitimo piquenique brasileiro.

Colocamos uma toalha num dos parques da area central de Londres e nos jogamos. Bolacha Passatempo recheada e Bis (SIM! Um mercadinho aqui vende produtos brasileiros. Ate Guarana para saciar as vontades de quem esta longe ha muito tempo.

Levamos tambem  nozes para os esquilos.

Demorou para surgir o primeiro, que logo avisou a  “gurizada”. Eram quase dez na nossa volta pedindo comida. Um deles bem locao saiu ate com um bis na boca.

A noite chegava e aquele final de tarde rendeu um cenario incrivel na beira do Tamisa.

Pubs lotados ao longo da  beira. Executivos, estudantes e turistas se perdiam diante daqueles deques sem nenhum espaco vazio.

Comecava a ventar pouco.

Parece ate que aquele inicio de noite caia perfeitamente num conto de Shakespeare. Alias, o grande escritor tem um teatro so pra ele em Londres. Eh o Shakespeare Globe. Uma arena igual as do passado. Locais semelhantes aos que o famoso escritor  apresentava suas pecas teatrais.

Assistimos “A Comedia dos erros”.

Volta e meia um aviao passava e abafava a  acustica do teatro, ja que era a ceu aberto.

Eh uma emocao maior apreciar um texto de Shakespeare numa arena como aquela.

Por cinco pounds, ingresso mais barato, a plateia assiste a duas horas e meia de espetaculo de pe.

Por uma quantia um pouco maior se pode assistir num dos bancos de madeira do teatro.

Ja era noite quando passavamos, mais uma vez, pelo Tamisa.

Paisagem ideal para uma das ultimas noites de verao…

TURISTA, SIM! COZINHEIRO, JAMAIS!

3 set

Poderia passar dias inteiros soh caminhando por Londres e mesmo assim conhecer muito pouco. As vezes acredito que a cidade nao tenha fim. A cada estacao do metro que saio me surpreendo com um bairro completamente diferente.  E todos apaixonantes.

Haja resistencia pra esse bate perna interminavel…

Meu almoco hoje foi simples. Antes de sair de casa preparei minha especialidade. Pao de forma tostado recheado com queijo, molho vermelho eeeeee nuggets. Prato internacional!

Depois desse belo almoco encarei mais uma maratona por essa gigantesca cidade sem fim.

Me aproximei do Tamisa. Ruelas com pouco movimento. Ruas estreitas assim como as que percorri pela Espanha.

Nos pubs o movimento aumentava.

Para muitos trabalhadores um final de tarde refrescante com as cervejas locais.

De longe avistei a St. Pauls Cathedral. Gigantesca. Imponente.

O sol forte iluminava ela todinha.

Assim como poderia ficar horas e horas caminhando, poderia levar horas soh admirando tamanha construcao.

A cupula da catedral eh a segunda maior do mundo. Foi nessa igreja que aconteceu um dos casamentos mais vistos e comentados do planeta. O do principe Charles com a princesa Diana.

Por pouco toda essa estrutura nao foi para os ares. Diz a historia que em 12 de setembro  de  1940 uma bomba foi descoberta e removida da catedral. A bomba tinha poder de fogo o suficiente para destruir completamente a igreja e ainda deixar uma cratera de cem pes de profundidade. Poucos meses depois outra  bomba teria sido encontrada e removida do local.

Vale destacar que ao contrario da maioria das igrejas da europa, nessa, a visitacao eh gratuita. Pelo menos parte dela. Mas o mais bonito mesmo eh o lado externo.

Grandiosa!

Antes da catedral ainda demos uma passada por um dos muitos museus que cercam Londres.

Passamos tambem pela Tower of London, onde estao as joias da coroa real. Nos jardins da torre ha uma grande quantidade de corvos. Diz a lenda que a torre desmoronara no dia em que os corvos debandarem.  Por enquanto eles ainda estao la! Para a minha sorte!

Mas foi surpreendente passar pela Tower  Bridge. Uma ponte semelhante (nas devidas proporcoes) a ponte que liga Porto Alegre a Guaiba. Parte dela levanta para a passagem de grandes embarcacoes que cruzam o Tamisa.

Alias, eu ainda tenho um livro de historia usado no colegio onde a capa trazia uma imagem da  Tower Bridge. Das paginas dos livros para as minhas vistas.

Bela imagem.

O vento era mais forte ao atravessar a ponte. Tanto a pe como de bus. O famoso vermelhinho.

Esse tour simplesmente me matou. Nao sentia mais as pernas. Sentei numa das calcadas e cantei um classico do TNT.

Na republica, janta em familia. A nossa  pequena familia reunida. O prato dos deuses.

A lasanha da Ananda humilhou a minha especialidade feita no almoco!   

Antes no supermercado a novidade londrina. O cliente mesmo passa suas compras num terminal. Informa o que esta levando. Coloca numa balanca especial para que o equipamento tenha a confirmacao que voce nao esta mentindo. O cliente paga, recebe a nota e o troco da maquina. Coloca os produtos nas sacolas disponiveis e deixa o supermercado. Tudo sem mais a presenca da caixa.

Humm… funcionaria no Brasil?

Como tudo ainda eh novidade, tenho a mania de comparar ou imaginar o que vejo aqui  colocado em pratica no meu pais.

Ainda nao me acostumei com tantas coisas diferentes.

Comecando pelo atravessar a rua. Ja que os carros passam nas pistas inversas. Mesmo com as mensagens pintadas no chao para lembrar  o turista para qual lado ele deve prestar mais atencao ao atravessar de uma calcada a outra.

Tudo eh diferente num pais mais diferente ainda…

OXFORD, PICADILLY E HYDE

2 set

Era inicio de noite quando chegamos a Londres depois do final de semana mais forte que eu tive nos ultimos anos.

Enfrentamos um longo congestionamento na entrada da cidade. Era volta de feriadao aqui na Inglaterra. Nao me pergunte o motivo desse feriado.

Cada um diz uma coisa. Alguns falam que eh feriado de carnaval. Sim, estamos em pleno carnaval ingles. As ruas de Notting Hill, por exemplo, lotam de folioes. Inclusive escolas de samba do Brasil se apresentaram por aqui.

Outros dizem que esse feriado acontece para marcar o fim do verao.

Bom, o fato eh que estamos no feriado e ha pela frente um congestionamento de muitos e muitos quilometros. A perder de vista.

E ainda havia o metro. Uma hora e meia por baixo da terra ate chegar em nossa republica. Mas com essa companhia a viagem nao tinha como nao ser divertida.

Capotei na cama. Exausto!

Acordei quase doze horas depois com o sol, mais uma vez, torrando a minha pele. Suava em pleno final de verao.

Abri a janela e vi o dia perfeito la fora. Tottenham ja pulsava nas primeiras horas do dia.

Meu destino hoje foi Oxford Circus, o centro comercial de Londres. Eh a rua comercial mais movimentada da Europa.

Quer saber o motivo?

Sao mais de 300 lojas, uma no lado da outra. Entre elas as marcas mais conceituadas do mundo. Um paraiso para quem gosta de gastar,gastar e gastar…

Em algumas lojas eh quase impossivel entrar tamanha a procura e movimento de gente desesperada atras das roupas de grife a precos de balaiao. Camisetas por dois pounds (o equivalente a seis reais).

Sim, tudo eh absurdamente barato por aqui. Nao ha como nao se encontrar em algum estilo.

Sao quase tres quilometros de shopping a ceu aberto.

Caminhamos por quase toda a Oxford Circus.  Entre esbarroes, “sorry”, sacolas e paciencia.

De uma lojinha de cambio em pleno bairro movimentado ouco a inconfundivel musica sertaneja.  Musica brasileira!!!!!!!! Que  alegria ouvir que a nossa cultura (seja ela qual for) soa pelas terras da Rainha. Descobri que era a Radio Record. Estacao bastante ouvida pelos imigrantes brasileiros.

Para dar uma pausa no agito de Oxford Circus so no famoso e gigantesco parque Hyde em pleno centro cinza da cidade.

Bastou um lencol na grama, uma sombra disputada, sorvetes que compramos de brasileiras e nos jogamos.

Que paz!

Em plena terca feira de setembro!

O parque de quase 3 quilometros eh considerado um dos parques da familia Real.

A caminhada continuou pouco tempo depois.

Antes de quase sermos atacados por patos selvagens chegamos ao palacio onde vivia a princesa Diana.  Lady Di ainda eh muito lembrada na Inglaterra.

Sem planejar acabei encontrando o palacio no dia em que completava 13 anos da morte da princesa.

Diante do portao de sua antiga residencia, flores, cartazes, fotos e mensagens de saudade.

Achei que nunca presenciaria esse momento de paixao dos londrinos pela princesa. 

Ela ainda eh tao viva na lembranca dos ingleses que mesmo depois de tantos anos de sua morte sempre eh citada em reportagens, homenagens e livros lancados a cada mes. O nome da Lady Di eh citado pelo menos oito mil vezes por ano na imprensa britanica. Volta e meia alguns jornais trazem a tona polemicas como a possibilidade da princesa ter sido vitima de um homicidio e nao de um acidente.

Segue a caminhada…

Foi ainda no parque Hyde que vi,  pela primeira vez, um esquilo. Ja vi muita coisa nessa vida mas um esquilo ainda faltava no meu curriculo.

Vi nao soh um mas varios. Esquilos desesperados por comida. Chegavam a subir pelas pernas dos turistas atras de algum alimento.

Enganei os pobres esquilinhos mentindo ter  comida so para ve-los de perto.

O dia terminou no ainda mais famoso Picadilly Circus onde lojas, cinemas, museus e restaurantes se concentram. Predios contornados por gigantescos paines de propagandas luminosas.

Passamos pelo Chinatown, um bairro so com restaurantes e arquitetura da China.  Alias, la eh possivel encontrar facilmente aquelas comidas estranhas que os chineses amam. Numa das vitrines patos pendurados de cabeca para baixo. Sao os proximos a  irem para os pratos de esfomeados.

No desejo de uma carne bem suculenta paramos num restaunte especialista nos mais diversos cortes de bifes.

Quase uma orgia gastronomica!

O tempo eh curto para voltar mais vezes. Minha vontade era sentar em qualquer uma dessas calcadas e ver Londres passar diante de olhos cada vez mais apaixonados por esse canto do mundo!

CARANGA A MIL POR HORA

1 set

Deixamos Liverpool na nossa caranga, como diz a Paula.

Vimos passar pela janela a casa de John Lennon, a famosa rua Penny Lane e os ares dos Beatles que pra sempre prometem envolver a pequena cidade.

Nem so de rock respira Liverpool.

Ainda fomos ao estadio de futebol. Casa de uma bela torcida.

Quanto mais percorriamos as estradas britanicas mais tinhamos vontade de parar em cada canto.

Chegamos em Manchester onde mais uma vez os estadios estiveram em nosso roteiro.

Um roteiro improvisado montado diante dos nossos repentinos desejos. Desejos malucos e sem explicacao como uma necessidade de almocar subway.

Ahhh nunca coma o molho barbecue fora do Brasil. Eh ruim demais!

Faltam dois anos para os jogos olimpicos na Inglaterra e tudo aqui caminha a passos largos.

Os estadios, por exemplo, ja estao em perfeitas condicoes.

Tomara que daqui dois anos possamos dizer o mesmo das obras brasileiras.

A caranga voava baixo. Ja a nossa Lady Gaga nao parava de berrar. Temperamental as vezes nao explicava com facilidade o que tanto queria. 

O GPS passava do banco da frente para o traseiro a todo o instante.

Eram os guris contra as gurias.

Nos vidros do carro, que mais pareciam telas de historia, cruzavam rapidamente campos verdes, castelos e montanhas. Imagens de cinema.

No passado batalhas aconteceram ali. Dentro da caranga disputas atuais. Batalhas sem sangue mas um duelo forte atras do grande vencedor dos jogos (tb inventados na hora, assim como nossos roteiros).

Jovens viajantes sem rumo.

Algumas mochilas, um carro alugado e a vontade de viver historias diferentes para conta-las depois.

Nossa viagem foi inesquecivel. E nos sabemos bem o pq.

Meus companheiros de aventura fizeram desses meus dias o capitulo mais emocionante dessa nova historia.

Quero voltar a Liverpool. E o mais breve possivel!

Quero viajar novamente ao lado dessa turma.

E que tudo seja tao simples mas tao desafiador como essa viagem…

LIVERPOOL DOS PUBS, BEATLES E ROCK

31 ago

Acordar cedo pra mim eh sempre dificil.
Na manha de sabado nao foi diferente, mesmo tendo um gostinho
especial.
Havia dormido pouco naquela madrugada e ainda o calor no quarto foi de derreter.
Assim como eu gosto!
De metro atravessamos Londres. O aeroporto fica a uma hora e meia da republica onde estou hospedado.
Nossa viagem comecou cedo.
Alugamos um carro e caimos na estrada.
Era como se nos fossemos os donos da Inglaterra.
Olhavamos tudo com os olhos de criancas atras de chocolate.
Nao se pode descrever a paisagem das terras da Rainha.
A cada cenario, a cada cidadezinha a perder de vista.
Dirigir realmente eh complicado por aqui.
Lembre-se, a direcao fica no lado oposto da direcao dos carros brasileiros.
Se nao tomar cuidado ao trocar a marcha eh capaz de abrir a porta
do veiculo.
O melhor mesmo foi eu admirar pelo vidro o que passava la fora, controlar o GPS, que carinhosamente foi apelidado pelas gurias de Lady Gaga ja que volta e meia pegava no tranco e as vezes dava uma de rebelde sem causa.
Minha outra missao era tao importante quanto as anteriores. Escolher as musicas que fizeram a trilha sonora dessa road trip.
Soh os sucessos!
No meio da tarde chegamos a Liverpool.
Essa cidadezinha ao norte da Inglaterra fica quase cinco horas distante de Londres, e tem um peso grandioso ao se falar da maior e melhor banda que ja existiu.
Os Beatles surgiram aqui.
Os primeiros acordes das musicas que se tornaram hinos de varias geracoes foram escutados nesses tradicionais pubs britanicos.
As casas de tijolinho a vista.
Floreiras nas entradas das residencias e janelas.
Parques com uma imensidao de verde.
Arvores nas ruas formando um verdadeiro tunel.
Algumas folhas caidas no chao.
O sol refletindo tanto nos predios modernos como nos vidros das construcoes mais antigas.
Liverpool escurece.
Depois de conhecer o museu com a historia da banda que sou apaixonado uma passada pelas ruelas do centro.
Era a hora de conhecer a noite na cidade dos pubs. E sao muitos.
Alias, os pubs no Reino Unido fecham cedo. Alguns onze da noite. Outros, no maximo, uma hora da manha. Apenas as baladas mais fortes podem permanecer abertas depois desse horario.
A noite estava fria em Liverpool mas as milhares de pessoas que lotavam as ruas esquentavam nesse vai e vem..
Era noite de sabado.
As musicas que fervem as festas do verao europeu tb ecoavam por Liverpool.
Nao dava vontade de ir embora.
Inacreditavel mesmo foi quando parei em frente a um pub simples, pequeno, aparentemente
sem cuidados. The Cavern.
Foi nele que os Beatles tocaram centenas de vezes. Foi ali onde
eles fizeram as suas primeiras apresentaçoes. Onde tocaram seus grandes sucessos.
Os maiores musicos do mundo que escreveram a historia nasceram ali mesmo onde eu  entrava mediante o pagamento de 5 ponds. O equivalente a 15 reais.
O estilo do local fazia jus ao nome do pub.
Paredes inteiras marcadas com os nomes de fas que estiveram ali.
Deixei meu MR em uma delas.
Meu nome foi marcado.
Marcus Reis tambem passou por ali.
Ouvi Revolution, que eu tanto desejei, Hey Jude, Come Together e tantas outras cancoes…
Ouvi Beatles a noite toda.
Muitas pints para acompanhar.
Overdose do que ha de melhor.
Emocao que nao se descreve.
Nem me atrevo a tentar.
Uma das melhores noites da minha vida.
Os Beatles, Liverpool e a Inglaterra marcados pra sempre na minha historia.

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