25 de outubro de 1975. Rua Tutóia, São Paulo. Endereço onde ficava o conhecido e tão temível DOI-CODI.
Naquele dia os gritos do jornalista Vladir Herzog foram ouvidos por todos os outros presos. Homens e mulheres que militavam contra a repressão. Foram choques elétricos e socos que fizeram Vlado gritar tão alto.
Os colegas das salas vizinhas viram por baixo do capuz os sapatos de Vlado entrando no prédio. O diretor de jornalismo da TV Cultura havia sido intimado a dar explicações sobre uma possível ligação com o Partidão, nome dado ao Partido Comunista Brasileiro.
Depois de tanta angústia, ninguém escutou mais nada. Nenhum berro, nenhum choro, nenhuma demonstração de pavor.
Em algumas horas a notícia que poucos acreditaram: Vladimir Herzog cometeu suicídio. O corpo foi encontrado enforcado em uma das celas. A versão dos militares não foi sustentada. Herzog foi assassinado. Mais uma vítima da Ditadura Militar.
Hoje, Vladimir Herzog é símbolo dos jornalistas. Profissionais que não sofrem mais com a repressão, mas muitas vezes esbarram na auto-censura.
A história que marcou a fase final da Ditadura provoca revolta de um tempo que acabou com tantas vidas.
Milhares de pessoas acompanharam o enterro do jornalista, que não foi enterrado nos cantos do cemitério, como manda a tradição judaica quando alguém comete suicídio.
Herzog virou um símbolo da luta pela liberdade e a defesa dos direitos humanos.